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Arquitetura - Eficiência energética na climatização de edifícios comerciais

27/05/2014

O mundo
caminha para a busca de resultados que corroborem a nossa permanência como
espécie neste planeta, e nesse sentido, a busca por soluções que adequem e
capacitem nossas construções como execuções sustentáveis têm ganhado destaque.
O discurso, embora possa parecer moderno, não é de hoje, há muito se tem
reclamado que o homem vem ocupando o planeta de forma desarmônica com a
renovação de suas reservas naturais, sejam elas minerais ou orgânicas. Ou seja,
extraímos e ocupamos os bens naturais além da capacidade deles de se renovarem.



Não obstante
o fato da preocupação ambiental - que ainda encontra certa resistência em alguns
setores, pois a questionam - há também o fato do custo de uso e manutenção das
construções terem se elevado de sobremaneira, o que, por si só já garante aos
projetos de edifícios comercias a viabilidade de serem elaborados com enfoque
na sustentabilidade. A implantação de sistemas que possam prover os edifícios
de redução de consumo ou obtenção de outras fontes de eletricidade, água, gás,
e outros, que sejam utilizados no seu uso, é uma forma de reduzir custos e agir
de forma sustentável. E, nessa questão, a eficiência na climatização consegue atingir
resultados que satisfazem tanto na questão econômica, como na ecológica.
Contudo ela precisa ser muito bem planejada, deve estar presente na concepção do
projeto do edifício, pois se for pensada após a conclusão do mesmo, pode se
tornar inviável. E deve levar em consideração várias questões: Primeiramente o
local, aliás, o mais importante, pois de acordo com a análise do clima da
região e de suas especificidades é que se estabelecem as soluções de melhor uso
e adequação do edifício às fontes naturais – iluminação, ventos, temperaturas,
etc. – e a ideia é utilizar esses recursos de forma favorável, ou seja, tomar
partido de sua existência, como estabelecer a correta decisão da locação dos
elementos que garantirão iluminação natural para o ambiente nos meses frios e
que a evitarão nos meses quentes; a utilização de materiais e de sistemas de isolamentos
térmicos que estabeleçam a inércia térmica adequada aprisionando o calor no
inverno e retardando a sua passagem para os ambientes internos no verão; a
escolha adequada do sistema de resfriamento e aquecimento forçados, que muitas
vezes devem ser centrais, ou seja, pensados para todo o edifício; a busca por
fontes alternativas, como aquecimento solar de água, utilização de água da
chuva ou reuso de água para vasos sanitários, torneiras externas de jardim e
lavagem de pisos; placas fotovoltaicas e turbinas eólicas para obtenção de
energia elétrica e biodigestores para gás; automatização de ambientes com
utilização planejada de recursos que minimizem gastos energéticos, como
persianas automatizadas que são acionadas de forma “inteligente”, iluminação com
sensor de presença em espaços de circulação, acionamento e desligamento de sistemas
somente quando necessário; utilização de lâmpadas modernas, como as de LED, ao
invés das convencionais, pois consomem muito menos e não esquentam o local; enfim
uma infinidade de soluções que terão suas aplicações respondidas para cada
local e empreendimento.



A questão
mundo afora já deixou de receber apenas o enfoque de custo e sustentabilidade,
muitos edifícios já incorporam essas soluções em suas concepções estéticas,
como no Instituto do Mundo Árabe (IMA), em Paris, onde um sistema de painéis
com diafragmas regulam a entrada de luz nos ambientes e, ao mesmo tempo,
produzem desenhos como um enorme muxarabi árabe; ou no Bahrain World Trade
Center que possui imensas turbinas eólicas entre suas torres, que reforçam seu
desenho, que remete a movimento, aliás o desenho das torres foi pensado de
forma a captar e canalizar o vento em direção às turbinas.



E embora
muitos tenham a impressão de se tratar, nesse momento, de um pensamento
equivocado e caro para ser compreendido e executado em solo nacional, saibam
que mundo afora as regulamentações caminham para patamares muito aquém dos
utilizados aqui, haja vista que na França já se fala em regulamentar o consumo
médio de energia para climatização para menos de
50 kWh/m²/ano. E essa nova regulamentação apenas
torna real o debate mundial sobre sustentabilidade, o que, com certeza deverá
se tornar uma questão pertinente e usual na concepção dos edifícios comerciais
no Brasil. As vantagens da implantação de sistemas que busquem a melhoria da
eficiência energética nos edifícios comerciais, além de poupar os recursos
naturais e reduzir custos garantem um mundo melhor para as futuras gerações, o
que por si só, já deveria ser motivo suficiente para utilizá-los.



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